sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

[''Deixe a Neve Cair'', de John Green, Lauren Myracle e Maureen Johnson]


Esse livro reúne três contos. As histórias desses três contos se passam durante o dia de Natal. São histórias diferentes, mas os lugares são os mesmos e os personagens da história anterior se cruzam com os personagens da próxima. De forma que, no último conto, todos os personagens se encontram (casualmente).

Confesso que fiquei perdida em alguns momentos. Personagens corriqueiros do primeiro conto reapareceram no terceiro e eu já não sabia quem era quem. Ponto negativo. Não gosto de livros confusos. Já havia lido dois livros do John Green, e imaginei que meu conto favorito do livro seria o dele. Engano meu...

O primeiro conto é da Maureen Johnson, e conta a história da Jubileu: uma garota nerd e insegura que namora um dos caras mais bonitos e populares da escola. Alguns incidentes acontecem com os pais dela, que são presos. Então ela se vê obrigada a partir para Califórnia e passar o Natal com seus avós. Durante a viagem, o trem fica preso em um banco de gelo e não poderá partir até que a neve derreta um pouco. Entre líderes de torcida, um lindo garoto chamado Jeb, a frieza de seu namorado Noah e o homem ''papel-alumínio'', Julie (como ela prefere ser chamada) conhece Stuart. E o resto eu não conto, vocês terão de ler.
Sem dúvida, esse é o meu conto favorito do livro.

O segundo conto é do John Green, e narra a história de três amigos: Tobin, JP e Duke. Eles saem na noite da pior nevasca dos últimos 50 anos atrás de líderes de torcida e batatas rosti. Muitos problemas se apresentam durante a jornada, é claro. Incluindo uma dupla de irmãos metidos a valentões que querem impedi-los de chegar até lá, e que pra isso não poupam esforços. Nesse meio tempo, Tobin e Duke descobrem que gostam um do outro, e isso gera alguns diálogos bem interessantes.
Gostei bastante desse conto do John, mas não superou o da Maureen, que ganhou em quesito fofura.

Bem, o terceiro conto é da Lauren Myracle, e fala sobre Addie e seus dramas pós-término com o Jeb (lembra daquele rapaz bonito que eu citei no primeiro conto?). Addie é egoísta, mimada e um poço de carência. Ela sempre achou que Jeb não a amava o suficiente ou que não demonstrava tanto quanto deveria. Então, em mais uma briga que eles têm por essas reclamações e cobranças, ela o trai. Daí em diante, é um blá blá blá e choradeira sem limites. O conto é um porre, a narrativa é chata e sem humor algum. A única coisa boa da história são os velhinhos simpáticos que tomam café na Starbucks, local onde Addie trabalha. Fora isso, o conto é exaustivo e te dá nos nervos.

Se recomendo esse livro? Não é ruim, mas também não é um livro memorável. Achei as questões abordadas bem infantis. De forma que, seria uma leitura absolutamente fantástica para leitores na faixa de 11-15 anos. Não há nada de profundo ali: só histórias fofas, Natal e finais felizes. Portanto, não leia se você espera algo que te faça ficar sem fôlego. É uma leitura gostosa e fácil pra se passar o tempo. Porém, se você gosta de histórias mais intensas, com personagens mais intensos e já na fase adulta, saiba que não os encontrará nesse livro.


Deixe um comentário falando sobre suas impressões do livro. Vou adorar saber o que você achou. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

["Teorema Katherine", de John Green]

CONTÉM SPOILERS

Muito bem, lá vem mais uma resenha dos maravilhosos livros do John Green! E um livro que já faz um tempinho que eu li, mas acho que consigo escrever bem sobre sua história - ou espero. 
O Teorema Katherine, usualmente, é lido logo após de você ler A Culpa é Das Estrelas e se apaixonar completamente pela história e querer conhecer mais do autor. E, na minha humilde opinião, é exatamente por isso que as pessoas se decepcionam um pouco com essa história. Leem achando que terá o mesmo choque que você tem quando lê A Culpa é Das Estrelas. Mas não, é uma história COMPLETAMENTE diferente, e é óbvio que se comparada uma obra a outra, O Teorema Katherine ficará no chinelo. E sem falar que quando você compara, se torna difícil ver a beleza ou a mensagem que há ali. 
O livro conta a história de Colin, um menino prodígio ÓTIMO em anagramas. Sério, ele é tão bom que te faz ter vontade de ser bom nisso também, porque... Cara, de uma mesma palavra sai outra completamente sensacional! Mas enfim, ele é fissurado em Katherines. Todas as garotas com quem ele se envolve tem essa mesma grafia. Já foram dezenove. Outra coisa que o jovem rapaz é fissurado é em ser alguém para o mundo. Ele acha que tem que marcar algo na história, ser importante para todos, não um mero ser humano, afinal, ele é um garoto prodígio! E inclusive ganhou um programa sobre isso quando criança. Ele tem um melhor amigo, Hassan, um libanês gordinho, que não quer ir para a faculdade e é muito engraçado. Meu personagem preferido no livro, afinal de contas. Dei muita risada com ele falando sobre o seu fugging Rojão. Aliás, fugging é uma palavra bem constante no vocabulário de Hassan e Colin, leia o livro e descubra o por que, e o que significa (meio óbvio, mas ok). Eles também usam o Badalhoca, que é um código que quer dizer "Para, você tá enchendo meu saco". E acho que isso faz com que a amizade deles nos cative. Ele surge quando Colin está numa crise depressiva por a. A décima nona Katherine ter terminado com ele (algo bem comum) e b. ele não ter a miníma ideia de como ser alguém. Hassan, propõe uma viagem para ele parar de pensar sobre isso e ficar triste, tudo o que um bom amigo quer para você e ambos saem em viagem no Rabecão do Satã, o carro de Colin, sem destino certo. No meio da viagem, Colin se sente atraído por uma nowhertown, chamada Gutshot, por que o Arquiduque Franscico Ferdinando está enterrado lá. Esse Arquiduque foi quem basicamente desencadeou a primeira guerra mundial, e bem, Colin fica meio "WHAT THE FUCK THIS GUY IS DOING HERE?", e você também fica, se você sabe e gosta de história (como eu, rs).  Chegando lá, ele encontra Lindsay, uma garota com um sotaque engraçado que os guia até o túmulo. É bem previsível o que vai acontecer com essa parte do livro (ele ficar com ela e quebrar o ciclo Katherine), mas mesmo assim, você continua lendo. Ela namora com um Colin também, e Hassan dá apelidos bem engraçados para OOC (O Outro Colin) e os amigos dele: JAD (Jeans Apertado Demais) e BMT (Baixinho Mascando Tabaco). Minha parte preferida do livro é quando todos eles vão caçar e acontece muita coisa errada, inclusive uma traição do OOC, o que abre caminho para Colin e Lindsay ficarem juntos. 
Ah, quase me esqueci de falar... nessa viagem, Colin começa a desenvolver um teorema que prevê os fins de relacionamentos, com base nos dois tipos de pessoa que existe no mundo: Os terminantes e os terminados. Tem bastante coisa de matemática no livro, umas curvas, fórmulas (inclusive uma enorme que quando você vê assusta), mas você não precisa entender de números para entender o livro, a prova viva sou eu! 
A história parece não atirar para lugar nenhum, na verdade, mas na verdade atira e vai em direção ao choque entre ser famoso vs. ser importante. Isso te mostra a diferença entre ambos, e é algo que quase ninguém percebe. Para ser famoso, você precisa que pessoas te conheçam, e fim. Ser importante já é mais complexo, e você não precisa ser famoso para ser importante. Algumas pessoas simplesmente bastam para isso. 
No fim, ele acaba conseguindo "concluir" o teorema, mas não como forma de previsão, porque ele aprende com Lindsay que não se pode descobrir o futuro com contas matemáticas, e que elas só funcionam com o passado, que explique o por que de tal coisa ter acontecido, e o futuro nas palavras do livro, não precisa fazer fugging sentido! Colin conclui outra coisa também, e cá estão suas palavras:

Porque, tipo, digamos que eu conte a alguém da minha caça ao javali. Mesmo sendo uma história boba, o ato de contá-la gera uma mudança pequenina na outra pessoa, da mesma forma que viver a história causou uma mudança em mim. Infinitesimal. E essa mudança infinitesimal se propaga em ondas - sempre pequenas, mas duradouras. Eu serei esquecido, mas as histórias ficarão. Então, nós todos somos importantes - talvez menos do que muito, mas sempre mais que nada.

Infelizmente não consigo pensar em música nenhuma para momento nenhum. Nem para o primeiro beijo entre os dois. O silêncio imaginado na cena torna tudo muito... Bom, como a história do livro! 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

[''Quem É Você, Alasca?'', de John Green]



Soco no estômago define esse livro do John Green. E você leva uma nova porrada a cada virar de páginas. Nunca cessa, nunca deixa de te acertar em cheio e fazer doer.
Culpa, expiação de ''pecados'', transgressões, tesão, fardos, mágoas, remorso, o valor da amizade e perda: esses são os 'temas' tratados aqui.
Apesar da história acontecer a partir da visão do Miles (ou Gordo), Alasca é onipresente em todo o livro. Desde o começo da história, percebe-se algo nela, uma inquietude. E essa inquietude está presente em tudo que fala/faz. Alasca é densa, visceral. Com ela, tudo acontece a 300 km/h. Alma de camaleão e silêncios enigmáticos: não há como não mergulhar nos olhos verdes de Alasca.

''Por um instante, ela ficou calada. Depois pegou minha mão e sussurrou 'corre, corre, corre, corre, corre' (...)''

Há tempos que não lia um livro que mexesse tanto comigo, que me fizesse cavar buracos e desenterrar lembranças que havia preferido esconder. John Green faz exatamente isso com você: bagunça o que há por dentro e te obriga a pensar, a questionar, a lembrar.
Mais do que um livro sobre cicatrizes e marcas deixadas pelo tempo, ''Quem É Você, Alasca?'' é um livro sobre procura, redenção, vida e morte. Vida e morte porque retrata a efemeridade e fragilidade da vida humana, e a eterna busca por formas mais sutis de lidar com nossas dores e sofrimentos, dos quais jamais conseguiremos nos livrar, pois fazem parte da nossa bagagem.
Me emocionei durante quase todo o livro, mas não me permiti chorar, mesmo querendo fazê-lo. Me causou uma espécie de dor que quero guardar pra sempre, porque é uma dor bonita. E as lágrimas levariam um pouco disso embora.

Diferente de em ''A Culpa É das Estrelas'', John Green nos revela aqui uma escrita mais madura, intensa e poética. Sem dúvidas, entrou para o hall dos favoritos.


Regina Spektor - Open
(momento em que o Coronel e o Gordo fazem o mesmo trajeto que Alasca fez no dia do acidente/suicídio)

Damien Rice - Cannonball (momento em que o Gordo recebe a notícia da morte de Alasca)

Elliott Smith - Between the Bars (momento em que o Coronel, Takumi, Alasca e Gordo estão no celeiro e jogam ''o melhor dia da sua vida/o pior dia da sua vida'')


Deixe seu comentário falando sobre as impressões que teve sobre o livro. Sugestões, críticas construtivas e elogios são bem-vindos.

domingo, 26 de janeiro de 2014

[''A Culpa É Das Estrelas'', John Green]

[CONTÉM SPOILERS]



            



Muito ouvi falar sobre esse livro do John Green. Confesso que, no começo, pensei que seria mais um best-seller água-com-açúcar que faria  as pessoas chorarem e pensarem em como o mundo é cruel por separar duas pessoas que finalmente encontraram o amor. E é quase tudo isso. Livro YA (young adult), linguagem fácil, tema recorrente em livros e filmes. Quando li a sinopse, torci o nariz e pensei que fosse apenas mais um no estilo de ''Um Amor pra Recordar''. É, mas não é. Calma, vou chegar lá. A estrutura do enredo é bem parecida (exceto por alguns pormenores): garota virgem com câncer conhece garoto virgem com câncer; ela é extremamente insegura, apesar de bonita; ele é absurdamente desejável e sexy; eles se apaixonam, passam momentos maravilhosos juntos; trechos tristes que te fazem chorar e agradecer por ser saudável; e, quando tudo parecia ir bem... BAM! ele anuncia que morrerá em breve. E morre.

Como eu disse, a estrutura do enredo é muito parecida com vários filmes/livros que encontramos por aí. Você, que está bufando na cadeira, me xingando mentalmente e dizendo ''Ok, Larissa. Já entendemos que o enredo é parecido com outros enredos'', tenha calma. Existe um diferencial, e é um grande diferencial. Foi o que me fez gostar e chorar e realmente sofrer com esse livro, apesar de todos os clichês. Eis: a capacidade dos personagens aceitarem com naturalidade sua doença e até fazerem algumas piadas sobre isso; as frases inteligentes e as metáforas.

Em livros/filmes que retratam a luta de personagens com câncer, vemos muito sofrimento, gente se arrastando e se lamentando. Ter câncer é realmente triste, algo difícil de ser aceito e compreendido, mas a vida de alguém que luta/sofre com essa doença, vai muito além de quimioterapia e choros intermináveis.
Vi uma quantidade de filmes consideráveis sobre esse tema e, a grande maioria era apenas um ''oh, céus. oh, vida''. Antes de me crucificarem e alegarem que estou dizendo que câncer não é sofrimento, deixem-me explicar: câncer é sofrimento sim. E não é somente a pessoa doente que sofre, mas quem está em volta também. O que quero dizer é que, o bonito desse livro, é ver como os personagens conseguem viver, sorrir e serem leves em boa parte da trama apesar de todo o peso que eles têm em suas costas; a capacidade de brincar e fazer piadas com algo que está lhe matando. Quando percebi isso como sendo o ponto alto da narrativa desse livro, me dei conta de que era exatamente essa a mensagem que o autor quis passar com o livro: encontre a beleza na feiura, a felicidade no sofrimento, o sorriso no meio das lágrimas. Talvez, na prática e com pessoas reais, não seja tão fácil e simples assim. Mas, continua sendo o ápice do livro.

No meio de tantos clichês, John Green encaixou uma beleza autêntica e divertida. Se gostei? Muito. Entrou para os favoritos? Nem chegou perto. Mas me deixou com vontade de ler outras obras dele, e é exatamente o que estou fazendo: lendo ''Quem é Você, Alasca?''. Aguardem resenhas.

Sempre que ouço músicas depois de ter lido algum livro, acabo encontrando algumas que se encaixam perfeitamente com a trama do mesmo. Eis algumas melodias que, na minha opinião, casaram-se perfeitamente com o livro:

The XX - VCR ( momento em que eles estão bebendo champanhe no ''Oranjee)

The Smiths - There Is A Light That Never Goes Out (momento em que Hazel socorre Gus após o tubo na barriga dele ter se soltado)

Lykke Li - Untill We Bleed ( momento em que Augustus revela pra Hazel que o câncer voltou e ''explodiu'' por todo seu corpo)


Deixe comentários falando sobre suas impressões desse livro; se gostou ou não gostou; se concorda ou não concorda comigo. Serão muito bem-vindos.