domingo, 26 de janeiro de 2014

[''A Culpa É Das Estrelas'', John Green]

[CONTÉM SPOILERS]



            



Muito ouvi falar sobre esse livro do John Green. Confesso que, no começo, pensei que seria mais um best-seller água-com-açúcar que faria  as pessoas chorarem e pensarem em como o mundo é cruel por separar duas pessoas que finalmente encontraram o amor. E é quase tudo isso. Livro YA (young adult), linguagem fácil, tema recorrente em livros e filmes. Quando li a sinopse, torci o nariz e pensei que fosse apenas mais um no estilo de ''Um Amor pra Recordar''. É, mas não é. Calma, vou chegar lá. A estrutura do enredo é bem parecida (exceto por alguns pormenores): garota virgem com câncer conhece garoto virgem com câncer; ela é extremamente insegura, apesar de bonita; ele é absurdamente desejável e sexy; eles se apaixonam, passam momentos maravilhosos juntos; trechos tristes que te fazem chorar e agradecer por ser saudável; e, quando tudo parecia ir bem... BAM! ele anuncia que morrerá em breve. E morre.

Como eu disse, a estrutura do enredo é muito parecida com vários filmes/livros que encontramos por aí. Você, que está bufando na cadeira, me xingando mentalmente e dizendo ''Ok, Larissa. Já entendemos que o enredo é parecido com outros enredos'', tenha calma. Existe um diferencial, e é um grande diferencial. Foi o que me fez gostar e chorar e realmente sofrer com esse livro, apesar de todos os clichês. Eis: a capacidade dos personagens aceitarem com naturalidade sua doença e até fazerem algumas piadas sobre isso; as frases inteligentes e as metáforas.

Em livros/filmes que retratam a luta de personagens com câncer, vemos muito sofrimento, gente se arrastando e se lamentando. Ter câncer é realmente triste, algo difícil de ser aceito e compreendido, mas a vida de alguém que luta/sofre com essa doença, vai muito além de quimioterapia e choros intermináveis.
Vi uma quantidade de filmes consideráveis sobre esse tema e, a grande maioria era apenas um ''oh, céus. oh, vida''. Antes de me crucificarem e alegarem que estou dizendo que câncer não é sofrimento, deixem-me explicar: câncer é sofrimento sim. E não é somente a pessoa doente que sofre, mas quem está em volta também. O que quero dizer é que, o bonito desse livro, é ver como os personagens conseguem viver, sorrir e serem leves em boa parte da trama apesar de todo o peso que eles têm em suas costas; a capacidade de brincar e fazer piadas com algo que está lhe matando. Quando percebi isso como sendo o ponto alto da narrativa desse livro, me dei conta de que era exatamente essa a mensagem que o autor quis passar com o livro: encontre a beleza na feiura, a felicidade no sofrimento, o sorriso no meio das lágrimas. Talvez, na prática e com pessoas reais, não seja tão fácil e simples assim. Mas, continua sendo o ápice do livro.

No meio de tantos clichês, John Green encaixou uma beleza autêntica e divertida. Se gostei? Muito. Entrou para os favoritos? Nem chegou perto. Mas me deixou com vontade de ler outras obras dele, e é exatamente o que estou fazendo: lendo ''Quem é Você, Alasca?''. Aguardem resenhas.

Sempre que ouço músicas depois de ter lido algum livro, acabo encontrando algumas que se encaixam perfeitamente com a trama do mesmo. Eis algumas melodias que, na minha opinião, casaram-se perfeitamente com o livro:

The XX - VCR ( momento em que eles estão bebendo champanhe no ''Oranjee)

The Smiths - There Is A Light That Never Goes Out (momento em que Hazel socorre Gus após o tubo na barriga dele ter se soltado)

Lykke Li - Untill We Bleed ( momento em que Augustus revela pra Hazel que o câncer voltou e ''explodiu'' por todo seu corpo)


Deixe comentários falando sobre suas impressões desse livro; se gostou ou não gostou; se concorda ou não concorda comigo. Serão muito bem-vindos.

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